DevOps, SRE ou Platform Engineer: quem contratar
Os três papéis se confundem no currículo e entregam coisas diferentes. Veja o que cada um resolve, as certificações que contam e como escolher pelo seu problema.
Os três títulos aparecem quase iguais nos currículos, e é comum a mesma pessoa se descrever como DevOps, SRE e platform engineer na mesma semana. Na prática, eles resolvem problemas diferentes. Abrir a vaga errada faz você contratar quem escreve pipeline quando o que faltava era confiabilidade, ou quem apaga incêndio quando o que faltava era uma plataforma. Vale separar os papéis antes de procurar.
DevOps engineer: a esteira do commit ao deploy
O foco é automação de entrega. Um DevOps engineer sênior constrói o CI/CD, escreve infraestrutura como código, integra testes e segurança na esteira e faz o caminho do commit até a produção ser rápido e seguro. Ele domina Terraform, GitHub Actions ou GitLab CI, containers e a integração com a nuvem.
Você precisa desse perfil quando o deploy é manual, demorado e assustador, quando cada ambiente foi montado na mão e ninguém consegue reproduzir, ou quando a segurança entra só no fim e trava tudo.
SRE: confiabilidade como disciplina de engenharia
O Site Reliability Engineer cuida de o sistema ficar de pé sob carga real. O trabalho gira em torno de SLO e SLI (as metas de confiabilidade e como medi-las), error budget (quanto de instabilidade é aceitável antes de travar entregas), observabilidade séria e resposta a incidente com postmortem que gera aprendizado. Ele pensa em capacidade, em degradação graciosa e em on-call sustentável.
Você precisa de SRE quando o sistema cai e ninguém sabe por quê, quando não existe meta clara de disponibilidade, quando o alerta toca o tempo todo sem sinal útil, ou quando o mesmo incidente se repete porque nada foi corrigido na raiz.
Platform engineer: a plataforma que o time todo usa
O platform engineer trata a plataforma interna como produto. Ele constrói o Internal Developer Platform, os golden paths (caminhos prontos e seguros para o desenvolvedor subir serviço sem reinventar tudo), catálogos como Backstage e o autosserviço que tira a infraestrutura do caminho de cada squad. O objetivo é fazer dezenas de times andarem rápido com padrão e segurança embutidos.
Você precisa desse perfil quando cada equipe monta seu próprio jeito de fazer deploy, quando o time de infra virou gargalo de tíquete, ou quando a empresa cresceu e a falta de padrão começou a custar caro em tempo e em risco.
As certificações que contam em cada trilha
- DevOps: HashiCorp Terraform Associate, Azure DevOps Engineer Expert (AZ-400), AWS DevOps Engineer Professional e experiência sólida com GitHub Actions.
- SRE: Google Professional Cloud DevOps Engineer, Prometheus Certified Associate e CKA para quem opera Kubernetes.
- Platform engineering: CKA como base de Kubernetes, Terraform Associate e histórico real de ter construído plataforma interna, que nenhuma prova certifica sozinha.
Certificação mostra fundamento. A prova de senioridade está em ter operado ambiente grande, com muitas equipes ou muito tráfego.
O que perguntar em cada caso
- Para DevOps: descreva a esteira mais completa que você montou. Como o código chega em produção e onde entram testes e segurança?
- Para SRE: como você define SLO com o time de produto e o que acontece quando o error budget acaba?
- Para platform engineer: qual foi a última plataforma interna que você construiu e como mediu se os squads realmente a adotaram?
- Para todos: conte um incidente sério que você conduziu, o que você mudou na raiz e o que passou a monitorar depois.
Red flags comuns
- O currículo diz "DevOps sênior", mas a pessoa só escreve YAML de pipeline e nunca desenhou infraestrutura como código.
- O suposto SRE nunca trabalhou com SLO nem error budget e confunde confiabilidade com monitoramento.
- O platform engineer nunca teve um time interno usando o que ele fez, o que costuma indicar projeto de laboratório.
- A pessoa promete os três papéis ao mesmo tempo em nível sênior. Existe quem transite entre eles, e profundidade real nas três frentes ao mesmo tempo é rara.
Sênior real e júnior disfarçado
O júnior disfarçado copia pipeline pronto e roda ferramenta da moda sem entender o porquê. O sênior explica o trade-off de cada escolha, antecipa o que vai quebrar em escala e desenha para a operação de longo prazo. Essa diferença aparece na conversa técnica com um par da mesma disciplina, e passa despercebida em uma entrevista de RH guiada por palavra-chave.
Quando alocar um especialista ou um squad
Se a necessidade é montar a esteira, definir confiabilidade ou fundar a plataforma, um especialista alocado por um período crítico resolve sem o custo de uma contratação permanente de perfil raro. Quando o desafio é maior, envolve várias frentes ao mesmo tempo e precisa de coordenação técnica, um squad dedicado entrega mais do que uma contratação isolada.
Por onde começar
Descreva o problema antes do cargo. Deploy travado pede DevOps. Sistema instável pede SRE. Time grande sem padrão pede platform engineer. A dor define o perfil e a senioridade.
A Cyberwalk dá acesso a DevOps e platform engineers Staff+, aprovados por par técnico e com garantia de substituição. Para uma frente com várias necessidades ao mesmo tempo, veja o modelo de squad dedicado. Descreva o desafio e a gente aponta o perfil certo.
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